Do dia de Ontem…

Estudar e lecionar são atividades que tem preenchido mais que minha mente, minha alma!

Ontem, dia do meu retorno ao voluntariado na AMA, fui surpreendida com um daqueles acontecimentos que nos deixam sem fala, sem ar… E que nos enchem de uma emoção e fé tão fortes que arrebata!!

Dizem que a criança autista é fechada e distante, não estabelece contado com os olhos, é inacessível perante as tentativas de comunicação das outras pessoas, ataca e fere outras pessoas mesmo que não existam motivos para isso e é restrito em sensações, quase inatingível a demonstrações de afeto e que não possui ou desenvolve memória.

Cientificamente isso é o correto, aliás, são características que ajudam a identificar o autismo quando criança, mas na realidade só quem convive com um autista sabe a grandeza deles exatamente por ter essas diferenças…

Voltando… Ontem quando entrei na AMA com a aulinha preparada ‘e tudo’, fui recepcionada na porta pelo Matheus, ao me ver saindo do carro ele não correu como de costume (ele não gosta nem um pouco de carros, por causa do barulho), nem estranhou mesmo nunca tendo me visto de carro. Abri o portão e como é habitual ele ficou olhando para frente. Eu me abaixei disse: Oi Matheus, tocando no ombro dele e para minha surpresa ele se virou e sorriu, um dos sorrisos mais lindos que se pode imaginar, pegou na minha mão e me puxando entrou no prédio. No caminho nada parava esse menino, nem pude cumprimentar as pessoas, até que ele entrou na sala onde eu sempre dei aula e sentou no chão, quieto… A essa altura meus olhos já estavam cheios de lágrimas, pela lembrança dele…

Uma outra voluntária trouxe a turma, ao todo são 11 crianças de 5 a 9 anos (5 já eram meus alunos), como é de costume todas sentaram no chão e Tia Ana Paula começou a me reintegrar a turma, dizendo meu nome e o que eu faria ali.

Para nossa surpresa (dessa vez eu não fiquei estarrecida sozinha!) a Julia (mais velha da turma) disse: É a tia eu já sei – começando a mexer nos meus cabelos!
Aproveitando a lembrança dela (já que eles, por mais que se lembrem não demonstram) a Tia Ana pediu que me dessem boas vindas e perguntou quem se lembrava de mim. Todos os 5 que eram meus alunos levantaram a mão ou acenaram com a cabeça (os mais adaptados e que já estudam a mais tempo tem mais facilidade na interação pergunta/resposta) e na hora de me dar as boas vindas a Tia Ana perguntou a cada um deles o que mais eles sabiam a meu respeito e as respostas foram “para mim” um carinho do céu:

Julia: E a tia da ‘bolachia’ (bolachinha, que todas as tardes eu entregava no lanche)
Matheus: Tia Tageina (Tengerine, meu apelido na faculdade que algumas professoras me chamavam na AMA. Uma vez o Matheus atirou uma caneca em mim e lembro que até então ele não falava comigo nem gostava de proximidade, foi só jogar a caneca que melhorou!)
Gustavo: Meu lanchinho, meu lanchinho (cantando ainda a música do lanche!! Que eu ensinei e cantava todo dia!)
Maria Luisa: Tia, tia, tia (repetindo várias vezes e vindo mais perto de mim).
Augusto: A Rua tia, na rua. (Nas aulas de expressão corporal íamos andar em volta da escola).

Tudo isso seria muito simples e corriqueiro se não fossem crianças autistas que não me vêem há mais de 1 mês (exceto nas fotos da parede que fizeram questão de me mostrar) e não tivessem tantas dificuldades em se relacionar com o mundo. Cada uma das frases foi dita no meio de um abraço, um sentou no meu colo, outra pegou no meu cabelo, mas todos me deram a maior demonstração de amor e confiança que eu poderia receber…

Da forma deles eles me mostraram seu afeto e provaram que os laços que eu criei com eles e eles comigo são fortes e verdadeiros… Isso acalentou minha alma!

Quando um autista abraça, beija ou simplesmente olha e responde uma pergunta a alguém ele mostra uma confiança que ele não vê no mundo.

No decorrer da aula ganhei beijos, abraços, alguns olhares desconfiados que foram se tornando mais amáveis e toda essa simplicidade das crianças me deu ainda mais a certeza de que: Pessoas boas atraem pessoas boas, mesmo com certas diferenças… E que demonstrações de amor vem da mais variadas formas, cabe a cada um de nós saber enxergar!

Os presentes que o universo nos dá só poderemos receber se nos abrirmos a eles sem preconceitos ou dúvidas… E esses meninos e meninas são um presente para o mundo e muito mais para mim!

Eu vejo milagres todos os dias, por onde quer que eu ande!

Explicando o post: Retomei recentemente o gosto que sempre tive pelo estudo das artes… Nunca fui uma aluna das mais comportadas, mas sempre gostei de estudar, aliás, gosto! Desde o ensino fundamental me interessei pelas aulas de Leitura e Educação Artística (o que não se pode dizer ser um grande feito!)… Mas, daí vieram os cursos de desenho, ballet, música, teatro e todos os cursos livres que já fiz na vida (e foram muitos) e daí também o gosto por lecionar… Minha área de estudo atual é comunicação, didática das artes e leciono voluntariamente em algumas Ongs…

Uma breve apresentação…


” Meu jeito rude e meu olhar tão duro. É grade, é cerca, é teatro, é meu muro! Assim me protejo dos que anseiam minhas lágrimas E filtro os que merecem meu sorriso…” [ Pierre Lacerda ]

Fragmento do poema que meu querido amigo Pierre (grande artista!) fez para mim no meu aniversário de 21 anos (24/04/2008).

PS: Esse post estava nos meus rascunhos do blog desde 24/09/2008 as 20h07…

Lições do Passarinho

Voe… Mirando apenas o horizonte!

Olhe ao redor, mas nada te detenha…

Bata as asas o mais forte que puder, mesmo sendo elas pequeninas elas te levam longe!

E lembre-se: “Passarinho que não sabe pousar, morre de tanto voar!”

E cabe aqui o: POEMINHA DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Mário Quintana

Essas lições eu aprendi… E me recordo delas todos os dias!

O Daimoku


“O Nam-myoho-rengue-kyo é como um rugido de um leão. Que doença pode portanto ser um obstáculo?” Frase do Gosho – Resposta a Kyo’o (Kyo’o dono Gohenji) Nitiren Daishonin.

O Nam Myoho Rengue Kyo é a expressão da verdade máxima da vida e também evidencia sua realidade essencial.

Nam: Deriva do sanscrito e significa devotar, ou relação perfeita da vida do ser humano com a verdade eterna, ou seja, dedicar a própria vida ou relacionar-se com a verdade eterna da vida. Também significa acumular infinita energia por meio da recitação do Nam Myoho Rengue Kyo e agir de forma positiva para aliviar o sofrimento dos outros.

Myoho: Literalmente significa Lei Mística. “Myo” significa místico e não tem nada a ver com milagre. É assim chamado porque o mistério da vida é de inimaginável profundidade e portanto está além da compreensão das pessoas. “Ho” significa lei. A intrínseca natureza da vida é tão mística e profunda que transcende o âmbito do conhecimento humano.

Rengue: É a lei de causa e efeito. O budismo vê essa lei em todos os fenômenos do universo e a simboliza pela flor de lótus (rengue em japonês), que produz a semene (causa) e a flor (efeito) simultaneamente.

Kyo: Significa a função e a influência da vida, como também a transformação do destino, simbolizando a continuidade da vida através do passado, presente e futuro.

A invocação do Nam Myoho Rengue Kyo é a exata essência do Budismo de Nitiren Daishonin.

“Sofra o que tiver que sofrer, desfrute o que tiver de ser desfrutado, considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida, e continue orando o NAM-MYOHO-RENGUE-KYO, não obstante o que aconteça.”

Nitiren Daishonin