Menina

Nos olhos carregava a alma como alguém que carrega o amor no peito. Muitas vezes traziam o cansaço da solidão, quase sempre. E agora o que traziam? Não sei explicar, eles transbordavam um brilho, não um brilho qualquer, outro tipo de brilho. Meio misterioso, mas só meio. É como se ela tivesse descoberto algo, sobre ela.  Desmascarou um sentimento profundo e se encantara com ele.  Ultimamente ela andava encantada…

Ah menina… Teus olhos diziam tudo. Tudo de ti.

“Capitu era Capitu, isto é, uma criatura muito particular, mais mulher do que eu era homem”.

Era só isso…

Eram os últimos dias do ano. Que dias… Que ano…  Eu não queria que a história se repetisse, terceira vez é demais não achas? Não com tudo que construímos. Sei lá sabe, é que quando a gente vira amigo/irmão as coisas são diferentes… Não é o caso!

Fecho os olhos e vejo mil coisas por segundo, tudo desde o começo. Não me faz terminar escrevendo que foi “desde o começo até o fim”, não? Por que com tanto amor, com tanto afeto o fim não é esse.  Sou assim, você é assado. Juntando tudo a gente fica um “assim-assado”.  Vai não… Fica mais um pouco, uns anos… Algumas vidas…

Perdoa o meu ser assim tão complicada, é que aprendi assim, é difícil mudar tão rápido. Eu tentei, tentava e continuo tentando, mas não vai não… Fica. Me deixa te fazer lembrar de algo? Olha: “Eu preciso muito, muito de você. Eu quero muito, muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor, você não precisa trazer nada só você mesmo, você nem precisa dizer alguma coisa no telefone, basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio. Juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro.Mas eu preciso muito, muito de você.”

Preciso muito, muito do teu sorriso, nem que seja uma vez por ano. Preciso de teus olhares, de tuas mordidas, de teus afagos, de teu amor. Pois através de você descobri a felicidade plena, onde não importa mais nada, além do que se vive.

Era só isso…

Haikai de Capitu

Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada.

Machado de Assis

 

 

A chamei de Capitu
Sorriu!
Será que me traiu?

Juramento

 

Tinha havido alguns minutos de silêncio, durante os quais refleti muito e acabei por uma idéia; o tom da exclamação, porém, foi tão alto que espantou a minha vizinha.
― Não há de ser assim ― continuei. ― Dizem que não estamos em idade de casar, que somos crianças, criançolas, ― já ouvi dizer criançolas. Bem; mas dois ou três anos passam depressa. Você jura uma coisa? Jura que só há de casar comigo?
Capitu não hesitou em jurar, e até lhe vi as faces vermelhas de prazer. Jurou duas vezes e uma terceira:
― Ainda que você case com outra, cumprirei o meu juramento, não casando nunca.
― Quer que eu case com outra?
― Tudo pode ser, Bentinho. Você pode achar outra moça que lhe queira, apaixonar-se por ela e casar. Quem sou eu para você lembrar-se de mim nessa ocasião?
― Mas eu também juro! Juro, Capitu, juro por Deus Nosso Senhor que só me casarei com você. Basta isso?
― Devia bastar ― disse ela. ― Eu não me atrevo a pedir mais. Sim, você jura… Mas juremos por outro modo; juremos que nos havemos de casar um com outro, haja o que houver.

 

 

“Dom Casmurro”, Machado de Assis. Capítulo 48.

Eu via flores em você

Todos me diziam: “Ele só quer te usar, não vê? Tá te enganando…”. Todos, sem exceção alguma. Sabe que eu não tinha idéia se era isso mesmo que você pretendia comigo, mas e se fosse? Era tarde… Eu via flores em você.

Não que eu quisesse ser usada, nunca quis isso e acho que ninguém quer. Não que eu soubesse que você me usasse, nunca acreditei. Quer dizer… Eu ‘meio’ que ouvia isso, mas não assumia nenhuma opinião, eu podia acreditar ou não. Pra quê complicar? Eu estava feliz, FELIZ e mesmo que durasse um ou dois meses, não me importava. É que quando a gente anda muito feliz, não se preocupa com muita coisa não. Não queria rotular nada, queria continuar… Com você, com isso. Não digo amor, não… Eu te queria bem. Pronto! Isso! A gente tava se querendo bem. Te queria tanto bem!

Preciso te dizer que não eram teus silêncios que me feriam, eram tuas palavras. Elas me feriam de um jeito que meu Deus… Só eu sabia!

Estou me esforçando para aprender que não devemos esperar nada de ninguém, porquê quem pode acabar se ferindo somos nós…  Mas, como você mesmo diz: Eu nunca aprendi de verdade, é humanamente impossível! Preferi adaptar para: Se quiser esperar algo de alguém, espere sozinho. Mas, de qualquer forma vamos nos ferir e isso não é tão ruim assim. Ferido você aprende,e aprendendo você pode entender certas coisas.

Eu esperava mais de você, mas esperava calada. Não queria que você me pedisse em casamento ou algo do tipo. Queria outra coisa. Talvez mais “querer bem”. Veja bem, eu queria um espaço a mais em você, queria poder sentir ciúmes e me achar no direito. Não ‘to’ dizendo que queria que você fosse meu, entende? Ninguém é de ninguém, poxa. Eu queria um pouco mais de algo que não sei te dizer o nome.

Entenda outra coisa, não te pressiono a nada. Existe algo que aprendi muito bem: “não devemos exigir NADA de NINGUÉM”. Então… que fique muito claro! Cada um tem seu tempo e os nossos não são parecidos.

Com tempos diferentes mas feliz, eu prefiro continuar!