Do amor que sinto

Do amor que sinto

Que do amor que eu sinto, nunca brotem mágoas. E se assim for, que não ameacem esse amor. E se ameaçarem, que a dor não venha selvagem ou feroz. Que não se torne nosso algoz. Que mesmo transbordando através das lágrimas que rolam das meninas ansiosas dos nossos olhos, não se esparrame mais do que o necessário. Que me respeite mesmo fazendo sombras as suas sombras e que a mim não mate para que não se constate o benefício do repouso para essa minha alma, que é tão sua.

Que a minha saudade não ameace a calma ou o nosso direito de ir e vir; que consiga transcender e transgredir. Agradar sem agredir! Espantar e apontar; mas nunca desapontar. Que ela chame a sua atenção, despontando de repente, numa disritmia crescente, na mais completa contradição de emoções e de paixão. Que ela fale por adjetivos e que se tinja das cores mais gritantes. Que faça com que minha paz se sobressaia, colorida e traduzida, em tons pastéis. E que essa paz saiba ser mansa e brilhar feito o crepúsculo em final de tarde de outono. Que flutue no silêncio das horas, que passam por mim agora, sem pressa alguma. Que a minha alegria seja sonora e barulhenta. Daquela que acalenta, caçoando e abusando  dos risos. Que faça barulho e que se disfarce de festa. Que acredite ser (e que seja) eterna. Que cante, dance assim, sem resistências. Agora, quanto ao amor…Quanto a esse amor que cresceu tão perfeito dentro do meu peito, que eu não permita que ele se cale! Que eu consiga que ele me proteja; que me convença e que não se exale. Que essa distância não nos abale e que ele seja exato e justo. Digno e merecedor.

E como eu espero, antes, durante e depois…

Prá nós dois…

Que ele sobreviva…

Absolutamente sincero!

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