Sua crônica de domingo e seu domingo crônico

Eu já sei, já li, o que ela escreverá. Vai postar em alguns minutos. E, mais que depressa, corri aqui para preparar o terreno, regar a terra, estofar as almas.

O de sempre?

Enquanto isso, nos palácios, eles cuidam de como o mundo andará, do que será das crises, dos empregos; alguma coisa acontecerá, e isto é mais certo que tudo. O de sempre.

Quer saber? Você é o marido, não é? Não é assim que as amigas dela o tratam? Então? Então, deixa como está para ver como é que fica. Os economistas dão conta da macro-econômica, os políticos encontram uma saída geo-política, os generais sabem dar ordens, os sacerdotes celebram cultos, as torcidas gritam gol, os filhos o seu dinheiro, e ela estará ali caso você precise.

O de sempre!

Que bobagem! Todo mundo sabe que o mundo tem governo e que o governo do mundo é a economia de mercado do mundo; e ela sabe disso, que você é a economia do mercado dela.

O de sempre.

Pior cego é aquele que quer ver. Pense nisto. Posso repetir?

Pior cego é aquele que quer ver!

O de sempre.

E de mais a mais, você sabe: o que será de sua velhice? Quem cuidará de você? De seu reumatismo, de sua úlcera? De sua solidão?

Quando a noite de hoje, a dos domingos, chegar, eleve suas mãos aos céus, mesmo que você não seja assim tão crente, porque de céu você entende.

O de sempre!

Lembre-se: filosofia é muito legal, poesia também, música então nem se fala, mas não são nada práticas, não servem para o porque, manda é a economia de mercado e de mercadinho. Isso que importa: enquanto você mantiver a portinha da quitanda aberta, tudo estará debaixo de suas asas, de uma forma ou de outra. Ninguém é burro. Fique tranquilo.

O de sempre!

Então, em homenagem a esse domingo de mercados cheios de graça, aqui vai uma crônica para festejar:

Era uma vez alguém que dizia amar alguém loucamente. E repetia:

– Eu te amo, mas…

Gostou?

Não vem bem a calhar?

São as melhores crônicas de domingo, as que começam assim e terminam assim:

– Eu te amo, mas…

Para sempre!

Quanto ao amor?

Ah! Que bobagem, porque o pior cego…

Mas, se apesar de tudo, apesar de tudo mesmo, você, que está indignado e sente-se, digamos, difamado (grifo meu, obviamente) com tudo isto e discorda, veementemente, do que falei (ou disse), então, meu caro, sua situação é um tanto desesperadora.

E, cá entre nós, sabemos bem o por que! Você e eu! E, neste caso, lembre-se bem que nossos domingos são crônicos, porque levianos.

Em nosso caso, meu caro, nossa crônica de domingo crônico é a seguinte:

Era uma vez alguém que acreditava no amor, loucamente, e dizia assim:

– Mas eu te amo…

Não vem mal a calhar? Descrer no amor. Então, dar de ombros e seguir dizendo, como se fosse um eco de si mesmo, porque ninguém estuca, ninguém escuta, estuca e escuta, ninguém mesmo:

– Mas eu te amava… poxa!

De: Ramiro Corrêa (05/04/2009) in: http://www.filosofix.com.br/

27-06

E, o amor é assim: você conhece alguém. Você e esse alguém começam a conversar. Começam a rir juntos de coisas bobas,e, com o tempo, você começa a lembrar daquela pessoa em qualquer coisa, você tropeça na rua, e por algum motivo, lembra dela. Você se apaixona. Tudo pra você muda, toda a sua perspectiva de vida é mudada, o mundo parece até mais colorido. E, tudo, pra você e pra ela, passa a ser compartilhado. Desde sorrisos até alegrias. Não é mais apenas “você”, é você… E ela. Ou, nos piores casos, ela e você, o você vindo depois, em segundo plano. É aí que mora o perigo. Brigas são normais… Porque é isso que você faz quando você quer alguém… Você briga. E eles se queriam, até demais. Conseqüentemente, com o tempo, tudo fica mais difícil, mas que se dane, qual seria a graça se fosse fácil? Certamente nenhuma. Só que, às vezes… Ela se cansa. Às vezes, ele se cansa. E, no pior dos casos, nenhum dos dois se cansa, mas eles terminam. Foi isso que aconteceu, e até hoje… Ninguém sabe o por quê. Talvez nunca irão descobrir, o por quê… Por quê de se amarem tanto, se quererem tanto, mas não se acertarem. É um mistério. De qualquer forma, vem o fim. O fim, que é sempre mais certo do que qualquer outra coisa, cedo ou tarde, chega. Não o fim, tecnicamente falando, porque eles sempre estariam conectados, querendo ou não. Apenas acredite em mim: a sensação do fim poderia ser comparada a você arrancando seu coração pela boca e o apertando até que ele explodisse. Não. Errado. Fazer isso doeria bem menos. E, sabe o que é engraçado? Que, o tempo que você passa sofrendo é o dobro, o triplo do tempo que você passa amando. Tem muito mais pra se falar sobre dor do que sobre amor. Mas, voltando… Esse tal fim, só é visto pelos outros. No coração de quem ama, ele nunca existiu nem nunca vai existir. O que, sim, existe, é a espera e a aceitação. A espera, entretanto, talvez seja ainda mais dolorosa do que o fim. O fim é como “ei, acabou, siga em frente com a sua vida”, enquanto a espera é “talvez ainda que dê pra vocês dois.” E a aceitação, afinal, é quando você repete, o tempo todo pra si mesmo “vai passar, vai passar… Não, não chore agora, vai passar.” Mas, antes de dormir, você simplesmente não se segura. Tudo que você evita durante o dia caí em cima de você, e você cede, mesmo sabendo que é errado se entregar a dor. E aprender a conviver com a dor e sem o amor é como aprender a andar. Dá medo. Às vezes você dá um passo maior que a perna e caí. Ou então, caminha alguns metros sozinho, acha que está conseguindo… Vem um vento um pouco mais forte e te derruba. Mas, finalmente, você aprende. Você, de alguma forma, cresce com as quedas. E, eventualmente, os dois irão encontrar o seu caminho de volta, mesmo que não seja tão simples… E talvez, algum dia por aí… Eles se encontrem. Encontrem a explicação. Quem sabe algum dia eles conversem de verdade e não apenas se falem.

(as pessoas que mais se amam, são as que mais se tocam, se tocam com beijos, abraços, brigas, uma acerta a outra em cheio… Mas, é do amor a força de superar e viver! Do tempo vem a convivência, rotina e o entendimento… As precipitadas não sabem o que é isso, não sabem ceder, não sabem esperar, mas hão de querer um dia aprender tudo isso e lá estará o Amor novinho em folha, mais forte pelo tempo!)

Vinícius Kretek (27-06)

 

E isso não é minha história… 🙂

Insista…

Sempre insista. Fale mais do que seja possível pensar. Insista. Temos que ter a capacidade de superar as resistências. Toda primeira conversa enfrentará uma série de inconvenientes. Mas insista. Não recue com a gafe, com o estardalhaço, com a vergonha. Siga adiante. Comece a rir sozinha. Rir é receber a pergunta: o que você está rindo? Rir é ser perguntado. Não há motivo para rir, rir é se abraçar. Minha risada é meu gemido público. Acordar me deixa excitado. (…) É disfarce, vivemos disfarçados de normalzinho, de ponderado, de retraído, porque a verdade quando surge faz atitudes impensadas, como comer algodão-doce nesta terça-feira diante de uma escola de normalistas. Que saudades de acenar para uma freira dirigindo um fusca. Deus é uma freira dirigindo um fusca. Tenho saudades de me exibir cortando laranjas. As tiras simétricas, os cabelos loiros da laranjeira. Tenho saudade de passear com a minha laranjeira. Não se explique, insista. Eu não vou ficar esperando alguém me salvar. Eu mesmo me salvo. Eu mesmo me arrumo para a loucura. Insista. O apaixonado cria sua boca. Cria sua boca para cada boca. Caso tenha prometido ir atrás dele, vá. Telefone, ainda que atrasada dois anos da promessa. Volte atrás, não queria pensar com os olhos, a boca são olhos mais atentos. Não se intimide ao encontrar seu homem no momento errado. É sempre o momento errado. Seja o momento errado da vida dele. Mas seja parte da vida dele. Seja o erro mais contundente da vida dele. Seja a vida do seu erro, para ele errar mais seguido. Talvez aquele amigo não converse para manter a aparência de misterioso. Talvez ele nem saiba conversar, seja incompetente. Insista. Uma hora ele vai tomar um porre do seu silêncio, sentar no meio-fio e falar aramaico. Todo homem guardado uma hora fala aramaico. Insista, esteja perto para o sermão dos pássaros no viaduto. A vida mete medo quando ela não é formalidade, não temos como nos defender do que parte dos dentes. Tenha um medo assombroso da vida, que é mais justo, deixe a morte com ciúme e inveja, deixe a morte sem dançar. Não fique articulando frases inteligentes, comoventes, certas. Insista. Sei o valor de uma fantasia, mas insista. Tropeçar ainda é andar, pedir desculpa ainda é avançar, concentre-se na dispersão. Ninguém quer falar com ninguém. Mas insista. Na sala do dentista, no trem, no ônibus, no elevador. Insista. O que mais precisamos é estranheza para reencontrar a intimidade. Não há nada íntimo que não tenha sido estranho um dia. Seja estranho com o ascensorista, com o porteiro do prédio, com a colega. Declare-se apaixonado antecipadamente. Depois encontre um jeito de pagar. Ame por empréstimo. Ame devendo. Ame falindo. Mas não crie arrependimentos por aquilo que não foi feito. Sejamos mais reais em nossas dores. Tudo o que não aconteceu é perfeito. Dê chance para a imperfeição. Insista. Estou cansado de me defender – sou só ataque. Insisto.

Fabrício Carpinejar

O que importa…

Não faz mal que seja pouco,
o que importa é que o avanço de hoje
seja maior que o de ontem.
Que nossos passos de amanhã
sejam mais largos que os de hoje.

Que sejam humanistas de braços fortes
em luta solidária
com as pessoas deserdadas.

Atuem agora e vivam o presente
com a certeza de que neste exato instante
está se erguendo o futuro.

Deixem seus méritos gravados
na história de suas contínuas vitórias!
A dificuldade no momento presente
será a glória em seu futuro!
O desbravar do caminho do novo século
será proporcional a sua caminhada!

(Daisaku Ikeda)

 

“O esforço é a ponte que liga a realidade ao sonho. Quem se
esforça faz emergir a esperança, e a esperança nasce do esforço.”

(365 Dias, página 107)

Das conversas com a minha mãe

Das conversas simples e corriqueras que (pra mim) tem um significado imenso!

 

Ela: – Você perdeu uma camiseta…
Eu: – É?
Ela: – É! E deve ser uma das tantas… Depois diz que não tem roupa…
Eu: – Perdi nada, ‘vamo’ procurar?
Ela: – Não adianta, a gente procura feito tonta como procurou aquele colar, anel, blusa, brinco, livro, calça, tênis (a lista é muito grande para escrever)… Como tantas coisas que você simplesmente esquece por aí e não lembra nunca mais de achar!
Eu: – Ai mãe, eu não sou assim de esquecer, sou?
Ela: – Não é, você só é de não lembrar!

 

Sábia simplicidade de mamãe!
E como dizem por aí: “Mãe sempre tem razão!” Estou torcendo para isso!